PLANO DE AÇÃO INTERNACIONAL SOBRE ENVELHECIMENTO

 

(fonte: site CNDI)

 

Presidente da República

Luiz Inácio Lula da Silva

Secretário Especial dos Direitos Humanos

Nilmário Miranda

Subsecretário de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos

Perly Cipriano

Secretária Executiva do Conselho Nacional dos Direitos do Idoso

Jurilza Maria Barros de Mendonça

Gerente de Projetos de Cooperação com Organismos Internacionais

Carmelina dos Santos Rosa

Este Plano foi o resultado da II Assembléia Mundial do Envelhecimento realizada de 8 a 12

de abril de 2002, em Madri, promovida pela ONU.

Esta publicação é o resultado da cooperação entre o Programa das Nações Unidas para o

Desenvolvimento – PNUD e a Secretaria Especial dos Direitos Humanos

Os conceitos e opiniões emitidos nesta obra são de exclusiva responsabilidade da equipe

coordenadora da obra.

 

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

Biblioteca. Seção de Processos Técnicos – MJ

© 2003 Ministério da Justiça

Reprodução autorizada, desde que citada a fonte de referência.

Tiragem: 5.000 exemplares

Edição e Distribuição:

Presidência da República

Secretaria Especial dos Direitos Humanos

Conselho Nacional dos Direitos do Idoso – CNDI

Esplanada dos Ministérios, Bloco T, Anexo II, 2º andar, sala 209 – CEP: 70064-900 – Brasília/DF

Fone: (61) 429-3598 – Fax: (61) 225-0440

E-mail:cndi@sedh.gov.br – Home page: http:// www.presidencia.gov.br/sedh/ct/cndi

Distribuição gratuita

Impresso no Brasil / Printed in Brazil

Tradução: Arlene Santos

Revisão de português: Alkmin Cunha

Revisão técnica: Jurilza M. B. de Mendonça e Vitória Góis de Araújo

Colaboração: Danielle Renée Machado de Oliveira e Humberto Monteiro Lopes

Normalização: Maria Amélia Elisabeth Carneiro Veríssimo (CRB-1 303)

Capa:

Editoração: Iracema F. da Silva

Referência bibliográfica:

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Plano de ação internacional contra o envelhecimento, 2002/

Organização das Nações Unidas; tradução de Arlene Santos. –– Brasília : Secretaria Especial dos Direitos

Humanos, 2003. — 49 p. : 21 cm. – (Série Institucional em Direitos Humanos; v. 1).

301.435 Plano de ação internacional sobre o envelhecimento, 2002 / Organização das

P712a Nações Unidas; tradução de Arlene Santos, revisão de português de Alkmin

Cunha; revisão técnica de Jurilza M.B. de Mendonça e Vitória Gois. – Brasília :

Secretaria Especial dos Direitos Humanos, 2003.

p. 86: 21 cm. – (Série Institucional em Direitos Humanos ; v. 1)

Tradução de: Plan de Acción Internacional de Madrid sobre el Envejecimiento,

2002./ Comisaria del Comitê Organizador Español de la II Assembléa Mundial sobre el

Envejecimiento, realizada de 8 a 12 de abril de 2002, em Madri.

1. Envelhecimento – Política 2. Envelhecimento – Planejamento governamental

3. Idoso 4. Idoso – Plano de ação. 5. Idoso – Emprego 6. Idoso – Condição de vida 7.

Idoso – Previdência social 8. Idoso – Saúde 9. Idoso – Moradia 10. Idoso – Acessibilidade

11. Idoso – Discriminação 12. Idoso – Serviço de Apoio I. Título II.Conselho Nacional dos

Idosos (Brasil) III. Organização das Nações Unidas.

CDD – 18º ed. 301.435

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sumário

APRESENTAÇÃO ___________________________________________________________ 11

Discurso do Sr. Kofl Annan, Secretário Geral das Nações Unidas ______________________ 13

A. DECLARAÇÃO POLÍTICA __________________________________________________ 19

I. INTRODUÇÃO ____________________________________________________________ 27

II. RECOMENDAÇÕES PARA A ADOÇÃO DE MEDIDAS ____________________________ 33

Orientação prioritária I: PESSOAS IDOSAS E O DESENVOLVIMENTO ____________ 33

TEMA 1: Participação ativa na sociedade e no desenvolvimento

Objetivo 1: Reconhecimento da contribuição social, cultural, econômica e

política das pessoas idosas. ______________________________ 34

Medidas (A-J)

Objetivo 2: Participação de idosos nos processos de tomada de decisões em

todos os níveis. ________________________________________ 35

Medidas (A – C)

TEMA 2: Emprego e envelhecimento da força de trabalho _____________________ 35

Objetivo 1: Oferecer oportunidades de emprego a todas as pessoas idosas

que desejem trabalhar. __________________________________ 37

Medidas (A – N)

TEMA 3: Desenvolvimento rural, migração e urbanização _____________________ 39

Objetivo 1: Melhoria das condições de vida e da infra-estrutura das zonas

rurais. _______________________________________________ 40

Medidas (A – H)

Objetivo 2: Diminuição da marginalização de pessoas idosas nas zonas

rurais. _______________________________________________ 40

Medidas (A – E)

Objetivo 3: Integração dos migrantes de idade avançada em suas novas

comunidades. _________________________________________ 41

Medidas (A – G)

TEMA 4: Acesso ao conhecimento, à educação e à capacitação ________________ 41

Objetivo 1: Igualdade de oportunidades durante toda a vida em matéria de

educação permanente, capacitação e reabilitação, assim como

de orientação profissional e acesso a serviços de inserção no

trabalho.______________________________________________ 42

Medidas (A – G)

Objetivo 2: Plena utilização das possibilidades e dos conhecimentos de

pessoas de todas as idades, reconhecendo os benefícios frutos

de uma experiência adquirida com a idade. __________________ 43

Medidas (A – F)

TEMA 5: Solidariedade intergeracional _____________________________________ 43

Objetivo 1: Fortalecer a solidariedade mediante a equidade e a reciprocidade

entre as gerações. _____________________________________ 44

Medidas (A – G)

TEMA 6: Erradicação da pobreza __________________________________________ 44

Objetivo 1: Redução da pobreza entre as pessoas idosas. _______________ 45

Medidas (A – H)

TEMA 7: Garantia de rendimentos, proteção social e prevenção da pobreza _____ 46

Objetivo 1: Realização de programas que permitam a todos os trabalhadores

terem uma proteção social / seguridade social básica que

compreenda, quando for o caso, pensões, seguro invalidez e

assistência à saúde. ____________________________________ 46

Medidas (A – H)

Objetivo 2: Renda mínima suficiente para idosos, com especial atenção aos

grupos em situação social e econômica desvantajosa. _________ 47

Medidas (A – E)

TEMA 8: Situações de emergência _________________________________________ 47

Objetivo 1: Igualdade de acesso de pessoas idosas à alimentação, à moradia,

à assistência médica e a outros serviços durante e depois de

desastres naturais e outras situações de calamidade pública. ___ 48

Medidas (A – L)

Objetivo 2: Possibilitar que as pessoas idosas contribuam mais para

restabelecimento e a reconstrução das comunidades e do

contexto social depois das situações de emergência. __________ 49

Medidas (A – F)

Orientação prioritária II: PROMOÇÃO DA SAUDE E BEM-ESTAR NA VELHICE _____ 51

TEMA 1: Promoção da saúde e do bem-estar durante toda a vida _______________ 52

Objetivo 1: Redução dos efeitos acumulativos dos fatores que aumentam o

risco de sofrer doenças e, em conseqüência, a possível

dependência na velhice. _________________________________ 53

Medidas (A – H)

Objetivo 2: Elaboração de políticas para prevenir a falta de saúde entre as

pessoas idosas. _______________________________________ 54

Medidas (A – J)

Objetivo 3: Acesso de todos os idosos à alimentação e a uma nutrição

adequada. ____________________________________________ 54

Medidas (A – I)

TEMA 2: Acesso universal e eqüitativo aos serviços de assistência à saúde _____ 55

Objetivo 1: Eliminação das desigualdades sociais e econômicas por razões de

idade ou sexo ou por outros motivos, inclusive as barreiras

lingüísticas, a fim de garantir que os idosos tenham um acesso

universal e em condições de igualdade à assistência à saúde. ___ 56

Medidas (A – G)

Objetivo 2: Desenvolvimento e fortalecimento dos serviços de assistência à

saúde para atender às necessidades de idosos e promover sua

inclusão no processo. ___________________________________ 57

Medidas (A – E)

Objetivo 3: Instituir um atendimento contínuo à saúde para atender às

necessidades de idosos._________________________________ 58

Medidas (A – F)

Objetivo 4: Participação de idosos no desenvolvimento e fortalecimento dos

serviços de atenção primária de saúde e atendimento a longo

prazo. _______________________________________________ 58

Medidas (A-D)

TEMA 3: Os idosos e a aids _______________________________________________ 59

Objetivo 1: Melhorar a avaliação dos efeitos da aids sobre a saúde dos idosos,

tanto para os infectados como para os idosos que cuidam de

familiares infectados ou sobreviventes. _____________________ 59

Medidas (A – B)

Objetivo 2: Dar informação adequada, capacitar para a prestação de cuidados e

proporcionar assistência médica e apoio social a idosos infectados

pela AIDS e a quem lhes dão assistência. ___________________ 59

Medidas (AC)

Objetivo 3: Fortalecimento e reconhecimento da contribuição de idosos para

desenvolvimento quando cuidam de crianças com enfermidades

crônicas, inclusive a aids, e quando substituem aos pais. _______ 59

Medidas (A – D)

TEMA 4: Capacitação de prestadores de serviços de saúde e de profissionais de

saúde _________________________________________________________ 60

Objetivo 1: Melhorar a informação e a capacitação de profissionais de saúde e

de serviços sociais quanto às necessidades de idosos. ________ 60

Medidas (A-C)

TEMA 5: Necessidades relacionadas com a saúde mental de idosos ____________ 61

Objetivo 1: Desenvolvimento de amplos serviços de assestência à saúde mental

que compreendam desde a prevenção de uma intervenção oportuna

à prestação de serviços para o tratamento e gestão dos problemas

de saúde mental de idosos. ______________________________ 61

Medidas (A-J)

TEMA 6: Idosos e incapacidades __________________________________________ 62

Objetivo 1: Manutenção de máxima capacidade funcional durante toda a vida e

promoção da plena participação dos idosos portadores de

incapacidades. ________________________________________ 62

Medidas (A-J)

Orientação prioritária III: CRIAÇÃO DE AMBIENTE PROPÍCIO E FAVORÁVEL ______ 65

TEMA 1: Moradia e condições de vida ______________________________________ 66

Objetivo 1: Promover o envelhecimento na comunidade em que se viveu,

levando devidamente em conta as preferências pessoais e as

possibilidades no tocante à moradia acessível para idosos. _____ 67

Medidas (A-J)

Objetivo 2: Melhoria do projeto ambiental e da moradia para promover a

independência de idosos considerando suas necessidades,

particularmente dos que apresentam incapacidades. __________ 68

Medidas (A-D)

Objetivo 3: Melhorar a disponibilidade de transporte acessível e

economicamente exequível, para os idosos. _________________ 68

Medidas (A-C)

TEMA 2: Assistência e apoio às pessoas que prestam assistência ______________ 68

Objetivo 1: Oferecer assistência e serviços contínuos, de diversas fontes, a

idosos e às pessoas que prestam assistência ________________ 70

Medidas (A-J)

Objetivo 2: Apoio à função assistencial que desempenham pessoas idosas,

principalmente mulheres idosas. __________________________ 70

Medidas (A-D)

TEMA 3: Abandono, maus-tratos e violência _________________________________ 71

Objetivo 1: Eliminação de todas as formas de abandono, abuso e violência

contra idosos. _________________________________________ 71

Medidas (A-G)

Objetivo 2: Criação de serviços de apoio para atender aos casos de abuso e

maus-tratos a idosos. ___________________________________ 72

Medidas (A-E)

TEMA 4: Imagens do envelhecimento ______________________________________ 72

Objetivo 1: Maior reconhecimento público da autoridade, sabedoria,

produtividade e outras contribuições importantes dos idosos. ____ 73

Medidas (A-H)

III. APLICAÇÃO E SEGUIMENTO _______________________________________________ 74

MEDIDAS NO PLANO NACIONAL ____________________________________________ 74

MEDIDAS NO PLANO INTERNACIONAL _______________________________________ 75

PESQUISA ______________________________________________________________ 78

SUPERVISAO, EXAME E ATUALIZAÇÃO NO PLANO MUNDIAL_____________________ 78

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS (1948) ______________________ 81

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

APRESENTAÇÃO

É com enorme satisfação que a Secretaria Especial dos Direitos Humanos, da Presidência

da República, edita esta publicação que contém os principais documentos produzidos

durante a II Assembléia Mundial sobre o Envelhecimento, realizada em abril de 2002

pela Organização das Nações Unidas em Madri, Espanha.

A Declaração Política e o Plano de Ação Mundial para o Envelhecimento constituem

importante referencial para o direcionamento das ações da Secretaria Especial dos Direitos

Humanos que, juntamente como a Subsecretaria de Promoção e Defesa dos Direitos

Humanos e o Conselho Nacional dos Direitos do Idoso têm promovido o combate à discriminação,

à negligência, ao abuso e aos maus tratos à velhice.

O desafio de viver com dignidade, uma vida socialmente ativa durante todo o percurso

do envelhecimento, é uma realidade que envolve a todos nós.

MINISTRO NILMÁRIO MIRANDA

Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DISCURSO DO SR. KOFL ANNAN,

SECRETÁRIO GERAL DAS NAÇÕES UNIDAS

Na África se diz, quando morre um ancião, que desaparece uma biblioteca. Talvez o provérbio

varie de um continente a outro, mas seu significado é igualmente certo em qualquer cultura. As

pessoas idosas são intermediárias entre o passado, o presente e o futuro. Sua sabedoria e experiência

constituem verdadeiro vínculo vital para o desenvolvimento da sociedade.

Reunimo-nos hoje para homenagear os idosos por sua contribuição e para formular uma

estratégia que os ajude a viver com a segurança e a dignidade que merecem. Nesse sentido, esta

Assembléia é para eles.

Permitam-me também homenagear a Espanha por sua generosidade como anfitriã desta

Assembléia, e por sua função de condutora esclarecida e informada, que nos ajudou a prepará-la.

Passaram-se 20 anos desde que nossos antecessores se reuniram para aprovar o primeiro

documento mundial que serviria de guia para as políticas sobre o envelhecimento. Desde então, o

mundo mudou de tal maneira que é quase irreconhecível. Nosso objetivo fundamental é que não

mudou: construir uma sociedade apropriada para todas as pessoas, de todas as idades.

Hoje temos razões fundamentais e imperiosas para voltar a refletir sobre a questão. O mundo

está passando por uma transformação demográfica sem precedentes. Até 2050, o número de

idosos aumentará em aproximadamente de 600 milhões a quase 2 bilhões. No decorrer dos próximos

50 anos haverá no mundo, pela primeira vez na Historia, mais pessoas acima de 60 anos

que menores de 15.

Talvez o mais importante é que o aumento do número de idosos será maior nos países em

desenvolvimento. Está previsto que, nos próximos 50 anos, a população idosa do mundo em

desenvolvimento será quadruplicada.

Trata-se de fenômeno extraordinário com conseqüências para cada comunidade, cada instituição

e cada pessoa, jovem ou velha. Definitivamente, o envelhecimento já não é apenas um

‘problema de primeiro mundo’. O que era de importância secundária no século XX tende a se

converter em tema dominante no século XXI.

Semelhante revolução porá desafios formidáveis em um mundo que já está se transformando,

em virtude da globalização, da migração e das mudanças econômicas. Gostaria apenas de

mencionar alguns desafios que nos são feitos hoje.

À medida que aumenta o número de pessoas que se mudam para as cidades, as pessoas

idosas perdem seus relacionamentos sociais e o tradicional apoio familiar e se vêem, cada vez

mais, expostas à exclusão.

Nos países em desenvolvimento, a crise da AIDS está obrigando muitos idosos a cuidar de

crianças que perderam seus pais por causa desse flagelo, que são mais de 13 milhões em todo

o mundo.

Em muitos países desenvolvidos, está desaparecendo rapidamente o conceito de seguridade

desde o nascimento até a morte. Devido à redução da população ativa, aumenta o risco de pensões

e a assistência médica serem insuficientes.

Com o aumento da população idosa, multiplicar-se-ão esses desafios. É preciso que comecemos

a nos preparar para enfrentá-los desde agora. Devemos elaborar um novo plano de ação

sobre o envelhecimento, adaptado às realidades do século XXI. Permitam-me mencionar alguns

objetivos primordiais.

Devemos reconhecer que, sendo maior o número de pessoas que recebem melhor educação

e desfrutam de longevidade e boa saúde, os idosos podem contribuir mais do que nunca para

a sociedade e, de fato, assim o fazem. Se incentivarmos sua participação ativa na sociedade e no

desenvolvimento, podemos estar certos que seu talento e experiência inestimáveis. Os idosos

que podem e querem trabalhar devem ter a oportunidade de assim o fazer, e todas as pessoas

devem ter a oportunidade de continuar aprendendo ao longo da vida.

Se criarmos redes de apoio e ambientes propícios, poderemos conseguir que a sociedade

em geral se interesse por estreitar a solidariedade entre grupos de gerações e combater o abuso,

a violência, a falta de respeito e a discriminação de que são vítimas os idosos.

Se dispensarmos atenção à saúde, e a um custo razoável, inclusive com medidas de saúde

preventiva, poderemos ajudar os idosos a se manterem independente o maior tempo possível.

Nos últimos 20 anos, abriram-se inumeráveis oportunidades que deveriam nos ajudar a alcançar

esses objetivos.

Nas conferências celebradas na década de 1990, foram formulados novos compromissos

internacionais que culminaram nos Objetivos de Desenvolvimento da Assembléia do Milênio. Considerados

em seu conjunto, constituem um plano básico para melhorar a vida das pessoas. Contribuir

para que o idoso viva melhor deve ser parte integrante desse programa. Produziu-se uma

revolução mundial quanto ao uso da tecnologia da informação e à potenciação da sociedade civil.

Isso nos permite estabelecer os vínculos de colaboração necessários para construir uma sociedade

para todas as idades. Sendo os governos os principais responsáveis pelo bem-estar da

população idosa, devem realizar seu trabalho mediante alianças eficazes com todos os interessados:

das organizações não governamentais ao setor privado, das organizações internacionais

a educadores e profissionais da saúde e, certamente, as associações que reúnem os próprios

idosos.

Esta Assembléia Mundial sobre o Envelhecimento deu-nos oportunidades extraordinárias de

estreitar esses vínculos de colaboração, graças ao fórum paralelo das organizações não governamentais

celebrado aqui em Madri e o fórum científico internacional que acaba de se encerrar

em Valencia. Mais uma vez, quero agradecer o Governo da Espanha e a sociedade civil espanhola

por terem tornado possível tudo isso.

Tendo em vista os desafios e as oportunidades que se nos apresentam, confio em que porão

todo seu empenho em levar a bom termo as negociações sobre o documento final desta Assembléia.

Espero também que enviem ao mundo uma mensagem mais geral: que as pessoas idosas

não são uma categoria à parte. Todos envelheceremos algum dia, se tivermos temos esse privilégio.

Portanto, não consideremos os idosos como um grupo à parte, mas, sim, como a nós

mesmos seremos no futuro. E reconheçamos que todas os idosos são pessoas individuais, com

necessidades e capacidades particulares, e não um grupo em que todos são iguais por que são

velhos.

Finalmente, quisera lhes confessar algo. Completo hoje 64 anos. Portanto, considero-me em

condições de citar a canção dos Beatles e perguntar, em nome de todos os idosos: Precisarás

ainda de mim, me alimentarás ainda quando tiver 64 anos?

Confio que a resposta seja sim: no século XXI ofereceremos aos idosos o de que necessitam

e deles precisaremos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A. DECLARAÇÃO POLÍTICA

Artigo 1º

Nós, representantes dos Governos, reunidos na II Assembléia Mundial sobre o Envelhecimento,

celebrada em Madri, decidimos adotar um Plano de Ação Internacional sobre o Envelhecimento

para responder às oportunidades que oferece e aos desafios feitos pelo envelhecimento

da população no século XXI e para promover o desenvolvimento de uma sociedade

para todas as idades. No marco desse Plano de Ação, resolvemos adotar medidas em todos

os níveis, nacional e internacional, em três direções prioritárias: idosos e desenvolvimento,

promoção da saúde e bem-estar na velhice e, ainda, criação de um ambiente propício e

favorável.

Artigo 2º

Celebramos o aumento da expectativa de vida em muitas regiões do mundo como uma das

maiores conquistas da humanidade. Reconhecemos que o mundo está passando por uma

transformação demográfica sem precedentes e que daqui a 2050, o número de pessoas

acima de 60 anos aumentará de 600 milhões a quase 2.bilhões, e se prevê a duplicação do

percentual de pessoas de 60 anos ou mais, passando de 10% para 21%. Esse incremento

será maior e mais rápido nos países em desenvolvimento, onde se prevê que a população

idosa se multiplique por quatro nos próximos 50 anos. Essa transformação demográfica

apresentará para toda a sociedade o desafio de aumentar as oportunidades das pessoas,

particularmente as oportunidades de os idosos aproveitar ao máximo suas capacidades de

participação em todos os aspectos da vida.

Artigo 3º

Reiteramos o compromisso contraído por nossos chefes de estado e de governo nas principais

conferências e cúpulas das Nações Unidas, em seus processos de seguimento, e na

Declaração do Milênio, com respeito à promoção de ambientes internacionais e nacionais

que promovam o estabelecimento de uma sociedade para todas as idades. Reafirmamos

ainda os princípios e as recomendações contidos no Plano de Ação Internacional sobre o

Envelhecimento, feito pela Assembléia das Nações Unidas, em 1982, e os princípios das

Nações Unidas em favor dos idosos aprovados pela Assembléia Geral, em 1991, que deram

orientação sobre as questões da independência, e a participação, dos cuidados, da autorealização

e da dignidade.

Artigo 4º

Destacamos que a melhoria da cooperação internacional é essencial para complementar os

esforços nacionais com vista à rigorosa aplicação do Plano de Ação Internacional sobre o

Envelhecimento, 2002. Por conseguinte, estimulamos a comunidade internacional a continuar

promovendo a cooperação entre todas as partes interessadas.

Artigo 5º

Reafirmamos o compromisso de não limitar esforços para promover a democracia, reforçar

o estado de direito e favorecer a igualdade entre homens e mulheres, assim como promover

e proteger os direitos humanos e as liberdades fundamentais, inclusive o direito ao desenvolvimento.

Comprometemos-nos a eliminar todas as formas de discriminação, entre outras, a

discriminação por motivos de idade. Reconhecemos também que as pessoas, à medida que

envelhecem, devem desfrutar de uma vida plena, com saúde, segurança e participação ativa

na vida econômica, social, cultural e política de suas sociedades. Estamos decididos a aumentar

o reconhecimento da dignidade dos idosos e a eliminar todas as formas de abandono,

abuso e violência.

Artigo 6º

O mundo moderno possui riqueza e capacidade tecnológica sem precedentes e nos dá extraordinárias

oportunidades: capacitar homens e mulheres para chegar à velhice com mais

saúde e desfrutando de um bem-estar mais pleno; buscar a inclusão e a participação total

dos idosos nas sociedades; permitir que os idosos contribuam mais eficazmente para suas

comunidades e para o desenvolvimento de suas sociedades, e melhorar constantemente os

cuidados e o apoio prestados às pessoas idosas que deles necessitam. Reconhecemos que

é necessária uma ação acordada para transformar as oportunidades e a qualidade de vida de

homens e mulheres, à medida que envelhecem e para assegurar o sustento de seus sistemas

de ajuda, construindo assim o fundamento de uma sociedade para todas as idades.

Quando o envelhecimento é aceito como um fim, é o recurso a competências, experiências

e recursos humanos dos grupos idosos é assumido com naturalidade como vantagem para

o crescimento de sociedades humanas maduras, plenamente integradas.

Artigo 7º

Ao mesmo tempo, os países em desenvolvimento, particularmente os menos adiantados,

assim como alguns países de economias em transição, precisam ainda vencer numerosos

obstáculos para se integrarem mais e participar plenamente na economia mundial. A menos

que as vantagens do desenvolvimento social e econômico cheguem a todos os países, um

número cada vez maior pessoas, sobretudo idosos de todos os países e mesmo de regiões

inteiras ficarão à margem da economia mundial. Por esse motivo, reconhecemos a importância

de incluir o tema do envelhecimento nos programas de desenvolvimento, assim como

nas estratégias de erradicação da pobreza e de cuidar que todos os países consigam participar

plenamente no desenvolvimento da economia mundial.

Artigo 8º

Comprometemo-nos a levar a cabo a tarefa de incorporar eficazmente o envelhecimento nas

estratégias, políticas e ações sócio-econômicas, cientes de que as políticas concretas variam

em função das condições de cada país. Reconhecemos que a perspectiva de gênero

deve incorporar-se em todas as políticas e programas com vistas às necessidades e experiências

tanto de mulheres como de homens idosos.

Artigo 9º

Comprometemo-nos a proteger os idosos e lhes dar assistência em situações de conflito e

ocupação estrangeira.

Artigo 10

O potencial dos idosos constitui sólida base para o desenvolvimento futuro. Permite à sociedade

recorrer cada vez mais a competências, experiência e sabedoria dos idosos, não só

para tomar a iniciativa de sua própria melhoria, mas também para participar ativamente na de

toda a sociedade.

Artigo 11

Destacamos a importância das pesquisas internacionais sobre envelhecimento e questões

relacionadas com a idade, como importante instrumento para a formulação de políticas relativas

ao envelhecimento, baseadas em indicadores confiáveis e uniformes, preparados, entre

outras entidades, por organizações de estatísticas nacionais e internacionais.

Artigo 12

As expectativas dos idosos e as necessidades econômicas da sociedade exigem que possam

participar na vida econômica, política, social e cultural de suas sociedades. Os idosos

devem ter a oportunidade de trabalhar até quando queiram e de serem capazes de assim o

fazer, no desempenho de trabalhos satisfatórios e produtivos e de continuar a ter acesso à

educação e aos programas de capacitação. A habilitação de idosos e a promoção de sua

plena participação são elementos imprescindíveis para um envelhecimento ativo. É preciso

oferecer sistemas adequados e sustentáveis de apoio social a pessoas idosas.

Artigo 13

Destacamos a responsabilidade primordial dos governos de promover e prestar serviços

sociais básicos facilitando seu acesso, tendo presentes as necessidades específicas dos

idosos. Para isso, temos que trabalhar com as autoridades locais, a sociedade civil, incluídas

as organizações não governamentais, o setor privado, os voluntários e as organizações de