CAMPANHAS E OPINIÕES


DENUNCIE TODA AÇÃO DE VIOLÊNCIA CONTRA PESSOAS IDOSAS



  • DELIBERAÇÕES DO SEMINÁRIO PREPARATÓRIO PARA A II CONFERÊNCIA DOS DIREITOS DA PESSOA IDOSA REALIZADO PELO FórumPNEIRJ - maio de 2008

  • A Comissão de Preparação da Eleição para o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos do Idoso do Rio de Janeiro - CEDEPI, instituída pelo Fórum Permanente da Política Nacional e Estadual do Idoso do Rio de Janeiro - FórumPNEIRJ, vem manifestar o seu repúdio, enquanto representantes da sociedade civil, face à impunidade dos responsáveis pela Clínica Santa Genoveva, em razão dos fatos que levaram à morte de vários idosos no ano de 1996. Rio de Janeiro, 01 de setembro de 2000. Assinam este Manifesto: a Comissão de Preparação da Eleição para o CEDEPI

  • DIVULGAÇÃO

  • Artigo sobre o Instituto Vivendo publicado na revista On-line RETS na edição 87, de 29/05 a 05/06/00
  • DADOS DO IBGE

  • Perfil dos Idosos Responsáveis pelos Domicílios no Brasil
  • A OBSOLESCÊNCIA DO CONHECIMENTO

    Artigo de Maria José Ponciano Sena Silvestre.


    A OBSOLESCÊNCIA DO CONHECIMENTO ESTÁ LEVANDO A UM ENVELHECIMENTO PRECOCE DA POPULAÇÃO BRASILEIRA.
    
    
    Se levarmos em conta que o  envelhecimento populacional é um fenômeno que começa a ocorrer no Brasil, como já ocorre em grande parte do mundo,  torna-se bastante evidente que a exclusão do mercado de trabalho do indivíduo com mais de 40 anos precisa ser olhado com atenção.  Principalmente se levarmos em conta que o processo de exclusão social acentua-se com a idade.
    
    Segundo projeção preliminar da população residente, segundo o sexo e grupos de idade - 1980/2020 divulgada pelo IBGE, a população brasileira com faixa etária entre 40 e 60 anos, já representava, em 2000,  34% do total da população economicamente ativa (considerando população entre 20 e 65 anos) e, projetando para 2020, o percentual pula para 42%.  Serão 26 milhões de pessoas entre  40 e 60 anos de idade, o que exige políticas públicas emergenciais para esta faixa etária.
     
    Ressaltamos, ainda, que, segundo mapa de densidade populacional, também do IBGE, o Rio de Janeiro é o município de maior população do Estado do Rio e é o 4º município em densidade populacional, perdendo apenas para, S.João de Meriti, Nilópolis e Belford Roxo.  Os dados estatísticos indicam que, se não atacados, haverá uma tendência ao agravamento das questões sociais desta faixa etária.
    
    
    A CRISE DO MERCADO DE TRABALHO 
    
    A partir do novo modelo de organização do Estado, o neoliberalismo,  temos um Estado de intervenção mínima e um mercado que se propõe a ser auto-regulado. Com a globalização, assistimos à internacionalização da economia, com a derrubada das fronteiras e mudanças em um ritmo frenético.  
    Assistimos, presentemente uma revolução sem precedentes que se reflete diretamente nas relações do trabalho .  O papel do trabalho é o  aspecto do futuro que se encontra mais confuso. 
    Nos dias atuais, a substituição do homem pela máquina é uma realidade irreversível, trazendo como conseqüência uma massa de desempregados e subempregados. A flexibilização das relações do trabalho  tem levado já há alguns anos, à redução de pessoal e terceirização da mão-de-obra.
    Não é à toa que, no Brasil, segundo publicação do IBGE de Pessoas Ocupadas em empresas do Setor Informal, em 1997, já encontrávamos 15% da população economicamente ativa se ocupando com a economia informal.  Este percentual vem crescendo assustadoramente, disfarçando, através da precarização das relações do trabalho, o crescente desemprego, necessitando uma intervenção pública emergencial.
    
    Este fator vem atingindo duramente, principalmente, os muito jovens, diante da barreira do primeiro emprego, e os de mais de  40 anos, diante da obsolescência do seu conhecimento.
    
    Para enfrentar esta revolução tecnológica, que se baseia na informação, as empresas estão apostando na criatividade, arrojo, ousadia e inovação dos jovens, segundo os gurus e manuais de administração. O mercado de trabalho vem demonstrando, a cada dia, maior interesse por profissionais mais jovens, porque eles estão  cada vez mais adaptado às transformações, lidam melhor com novas tecnologias e não têm cultura arraigada.
    
      Com isto, as pessoas mais velhas estão sendo descartadas porque seus conhecimentos tornaram-se obsoletos; não só nas técnicas, como em suas atitudes, comportamentos e posturas diante da vida.  Capacidade para trabalhar em grupo, iniciativa, ousadia e criatividade não foram comportamentos reforçados nos últimos 20 anos. 
    
    Muito embora a experiência seja importantíssima considerado notório que características como equilíbrio, tranqüilidade, sabedoria e tolerância chegam com o tempo, o fato é que o peso do profissional experiente diminuiu, em função de outras características, como trabalho em equipe, dinamismo e conhecimento tecnológico.
    
    Ser considerado velho aos 45 anos, demonstra que estamos diante de um envelhecimento precoce  do trabalhador, da obsolescência do seu conhecimento.  É um processo que precisa ser urgentemente atacado.  
    
    “As pessoas de meia-idade vão se confrontar cada vez mais com preconceitos à medida que envelhecerem porque esta sociedade nega o valor da experiência.  Numa organização flexível, os hábitos e as práticas do passado são o inimigo a ser combatido.  Também acredita-se que as pessoas de meia-idade são avessas ao risco.”, segundo entrevista do sociólogo americano, Richard Sennett à revista VOCÊ. 
    
    E isto é grave porque a idade para se adquirir direito à aposentadoria aumentou.  Estamos diante de uma reforma do estado brasileiro que insiste em trazer em seu bojo a desconstrução da seguridade social, com conseqüências regressivas para a maioria da população, notadamente para a parcela  idosa da  população que vêem restringidos suas opções, também, no campo da saúde
    
    
    A  DISCRIMINAÇÃO DO TRABALHADOR DE MAIS IDADE foi tema do Fórum de Ongs sobre envelhecimento ocorrido em Madri, em abril de 2002.  Esta foi uma das grandes discussão do Fórum que redundou no artigo 11 da Declaração Política da II Assembléia sobre Envelhecimento da ONU em 2002.  Quando se fala de aumentar a idade de aposentadoria, é preciso atentar para o fato de que as empresas governamentais e privadas não oferecem condições de treinamento para os trabalhadores de mais idade.  Se o argumento é o da eficiência, apontando para o fato de que os de mais de 40 estão mais distante da tecnologia, são menos flexíveis e menos ágeis, o Fórum elaborou propostas factíveis para contornar esta situação, especialmente, no que tange à necessidade de criar mecanismos que obriguem as empresas de oferecerem reciclagem e  treinamento permanente.  
     
    
    O processo de envelhecer é responsabilidade de toda a sociedade.  E vemos que não estamos preparados para tal. Estamos negando ao idoso o direito de viver dignamente levando-o ao desamparo, à solidão e conseqüentemente à decadência.  
    
    
    ALTERNATIVAS
    
    Diante das modificações estruturais da produção, entendemos que seja imperativo que o indivíduo de mais idade reaprenda a adaptar-se não só ao relacionamento capital-trabalho emergente, como aos demais aspectos da vida.  
    
    Na medida em que a expectativa de vida aumenta, e transforma-se a faixa etária ao nosso redor, devemos ter em mente que uma revolução cultural torna-se inevitável.  Acreditamos mesmo que a revolução cultural que varreu a vida dos jovens na década de 60, atingirá a população idosa dentro de poucos anos, e ser velho terá um novo significado.
    
    Com relação ao mundo do trabalho, é preciso estar atento para as suas transformações,    buscando incorporar novas qualificações e formas criativas e inovadoras de forma a que seu trabalho não se torne obsoleto e seja dignificante e de alta qualidade.
    
    
    Maria José Ponciano Sena Silvestre
    Psicóloga
    Primeira Secretária da Associação Nacional de Gerontologia -RJ
    Coordenadora do Instituto Vivendo de Desenvolvimento Integral da Terceira Idade
    
    
    
    BIBLIOGRAFIA
    
    
    1 – SITE http://www.ibge.gov.br/sidra
    
    2 – Revista Rets – Artigo “ As transformações do mundo do trabalho
    Mas o que é que está acontecendo com o mundo? – ano 2000
    Sergio Goes de Paula e Paulo Henrique Lima 
    
    
    3 – Revista Você – entrevista com Richard Sennet 
    – ano 2000
    
    
    5 - Artigo Revista do SEPE
    -Brasil 500 anos: Resgate Histórico ou Discurso Jurássico? 
    ANO 2000
    Lená Medeiros de Menezes
    
    
    	6 - Artigo Revista ANG
    O Projeto de Reforma do Estado no Governo FHC – Reforma ou Contra-Reforma? 
    – ANO 2000
    Sonia Lucio Rodrigues de Lima
    
    
    4 - A Revolução da Esquerda e a Reinvenção do Brasil 
    – Cristóvam Buarque
    
    
    5 – Conclusões do FORUM DE ONGS SOBRE ENVELHECIMENTO ocorrido em Madri - 	04/2002
    
    6 – Declaração Política da II Assembléia sobre Envelhecimento da ONU – 04/2002